Melhor ou Mais Bem?

O aluno foi “melhor” orientado ou “mais bem orientado?

27/12/2013 por Eduardo de Moraes Sabbag
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Fonte:
Jornal Carta Forense
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É comum a dúvida: a renda deve ser “melhor distribuída” ou “mais bem distribuída”?
Certeza vez, um ex-presidente causou rebuliço ao afirmar, em um Congresso do seu partido: “queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação (…)”. A forma “melhor educado” é possível? Ou seria melhor “mais bem educado”?

A questão se liga ao uso dos comparativos de superioridade. Vamos à análise:
Se digo que o candidato é um “bom aluno”, posso também afirmar que ele é “melhor aluno” do que outros. Note que o termo “melhor” serviu como comparativo de superioridade do adjetivo “bom”, assim como seria possível usar a forma “pior” como comparativo de inferioridade do adjetivo “mau”. Há consenso nesse ponto entre os gramáticos.

Exemplos:

Ele é bom aluno – Ele é melhor aluno (do que outros).
Ele é mau aluno – Ele é pior aluno (do que outros).
Observação: não se pode comparar, utilizando a forma “mais bom”, quando o termo “melhor” for adjetivo.

Além disso, se digo que o aluno foi “bem” na prova, posso também afirmar, no plano comparativo, que ele foi “melhor”. Observe que o termo “melhor” serviu como comparativo de superioridade do advérbio “bem”, assim como seria possível usar a forma “pior” como comparativo de inferioridade do advérbio “mal”. Exemplos:

O aluno foi bem. (ou mal)
O aluno foi melhor. (ou pior)

Por outro lado, se digo que o candidato é “bem preparado”, as coisas mudam de figura. Observe que o advérbio “bem” acompanha o particípio passado “preparado”. Devo usar qual comparativo? “Melhor” (preparado) ou “mais bem” (preparado)? É possível comparar, utilizando “melhor”, quando este termo for morfologicamente um advérbio?
Aqui está toda a celeuma, dividindo os estudiosos: há os que aceitam apenas o comparativo “mais bem”, repudiando a forma “melhor”; de outra banda, há aqueles que admitem indiferentemente as duas formas, apenas se recomendando uma em detrimento da outra. Como se notará abaixo, filiamo-nos à última corrente.

Se diante do comparativo aparecer uma forma verbal no particípio passado, ou seja, aquelas flexões geralmente terminadas por -ado ou -ido, recomenda-se substituir os comparativos sintéticos (“melhor” e “pior”) pelas formas analíticas “mais bem” e “mais mal”. Assim será utilizado o intensificador “mais”, ao lado de “bem” ou “mal”, no lugar de “melhor” ou “pior”. Exemplos:

- A aluna é mais bem orientada que a colega (no lugar de “melhor orientada”);
- O candidato está mais bem preparado este ano (no lugar de “melhor preparado”);
- Este projeto está mais mal realizado do que o outro (no lugar de “pior realizado”);
- Aquele foi o casamento mais mal organizado a que já fui. (no lugar de “pior organizado”).

Observação: frise-se que o mesmo raciocínio se estende ao comparativo “menos”, ao lado de “bem” ou “mal”, embora os registros sejam raros (Portugal é o país menos bem preparado para lidar com a pandemia).

Voltando ao caso, podemos assegurar que há uma certa lógica: quando se diz “bem orientada”, o advérbio “bem” tem forte ligação com o particípio que a ele sucede (orientada), quase formando um “todo indissociavelmente significativo”. Tal atração se torna nítida nos inúmeros casos de palavras hifenizadas (adjetivos) com tais advérbios: bem-acabado, bem-acostumado, bem-apessoado, bem-aventurado, bem-disposto, bem-educado, bem-humorado, bem-sucedido, bem-vestido, entre outros. Da mesma forma, destacam-se com o advérbio “mal”: mal-agradecido, mal-amado, mal-educado, mal-entendido, mal-humorado, entre outros.

Como tais palavras funcionam como adjetivos, é natural que se deva dizer “mais bem orientada”, no lugar de “melhor orientada”, tal como dizemos “mais feia” (e não “melhor feia”) ou “mais bonita” (e não “melhor bonita”). Veja que o intensificador “mais” incide sobre o conjunto representado por “bem+particípio”, e não exata e exclusivamente sobre o advérbio “bem”.

Portanto, tem-se a seguinte visualização: [ mais + (bem+particípio) ].
Daí se justificar a preferência da gramática normativa pela tradicional utilização, antes de particípio, da forma adverbial analítica “mais bem” em vez da forma adverbial sintética “melhor”.

A propósito, a Folha de S. Paulo, na seção “Esporte”, trouxe recentemente interessante exemplo do uso pelo qual ora demonstramos predileção:

“A mais bem colocada na Malásia foi a Virgin, única que ainda não havia chegado ao fim de nenhum GP.”
Curiosamente, a referida frase foi cobrada “ipsis litteris” no vestibular da Escola Paulista de Propaganda e Marketing (ESPM), tendo sido considerada “correta” e “sem transgressão de concordância”, uma vez que se preferiu o intensificador “mais” ao comparativo “melhor”.

No âmbito dos vestibulares, recordo-me, ainda, de assertiva elaborada em prova recente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), em que se considerou “correta” a frase abaixo:
“Se os professores fossem mais bem pagos e qualificados, a educação daria um salto em qualidade.”
Por isso, temos recomendado em sala de aula, sobretudo aos concurseiros e vestibulandos, que se adote, exemplificativamente, o quadro abaixo:
Como se verifica, é da índole da língua e da prática da gramática normativa que se impugne o comparativo “melhor”, anteposto às formas participiais.
Entretanto, como a língua não é uma entidade monoliticamente fixa, é importante registrar que há exemplos clássicos – e autorizados! –, que abonam o uso pouco recomendado, em que o “melhor” aparece como modificador do particípio, sinalizando o aceite de ambos os usos na variante culta formal. Exemplos:

- “(…) a demonstração (…) seja melhor confirmada pelos fatos” (Alexandre Herculano);
- “(…) que ande ele melhor avisado na organização (…)” (Machado de Assis);
- “O ponto (…) melhor tornado no terreno alheio (…)” (Camões, em “Os Lusíadas”, IX, 58);
- “Santarém é das terras de Portugal a melhor situada e qualificada.” (Almeida Garrett);
- “(…) aceitou um almoço melhor adubado que o da ceia (…)” (Camilo Castelo Branco, em “O Santo da Montanha”);
- “Levou seu prêmio melhor logrado” (Padre Manuel Bernardes);
- “(…) mais decidida, senão melhor armada” (José de Alencar).

Tais exemplos ratificam a ideia de que a escolha é pura questão de preferência, de estilo e, talvez, de agrado. Daí não podermos chamar de “erro” a fala do ex-presidente.
Posto isso, ante a robusta divergência diante dos fatos da língua, recomendamos – e não mais que isso… – a utilização do comparativo analítico antes das formas do particípio. Apenas, enfatizamos: é melhor assim… Por outro lado, o leitor não estará menos bem acompanhado se seguir Camões, Garrett, Machado, Camilo etc.

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Fonte:
Jornal Carta Forense
© 2001-2014 – Jornal Carta Forense, São Paulo
tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br

http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/o-aluno-foi-melhor-orientado-ou-mais-bem-orientado/12740

 

 

 

 

Obrigado ou Obrigada ?

Fonte:
http://www.portugues.com.br/gramatica/obrigado-ou-obrigada-qual-utilizar.html

A concordância nominal do adjetivo “obrigado”, como expressão de agradecimento, gera muitas dúvidas. Em geral, as pessoas não sabem quando utilizar “obrigado” ou “obrigada”.

O adjetivo “obrigado” é muito usado, mas nem sempre de forma correta.
Quando há um homem e uma mulher, como fazer a concordância nominal?

A concordância nominal é o acordo ou a harmonia que deve acontecer entre artigo, numeral, pronome e adjetivo com o substantivo. Isso acontece em relação ao gênero (feminino e masculino) e ao número (singular e plural). Esta é a regra básica, entretanto, existem algumas palavras ou expressões que podem gerar dúvidas quando utilizadas. Uma delas é o adjetivo obrigado.

A regra de concordância nominal diz que quando obrigado expressa um agradecimento deve concordar com quem fala, ou seja, com o emissor. Veja o exemplo:

A professora entrou na sala e elogiou o trabalho de dois alunos, Maria Luiza e Guilherme. Os alunos, claro, ficaram muito felizes. Então, foram até a mesa da professora.

Maria Luiza falou: Obrigada, professora.

Guilherme falou: Obrigado, professora.

Muitas pessoas pensam que se estamos agradecendo a uma mulher, devemos falar obrigada. Caso o agradecimento seja endereçado a um homem, então obrigado. No entanto, não é assim. Quem define a concordância desse adjetivo é o sexo de quem está agradecendo.

Então, meninas agradecem com obrigada, enquanto os meninos agradecem com obrigado.

Só há uma condição em que obrigado não deve ser flexionado, quando for substantivo. Nesse caso, permanecerá no masculino singular, independente de quem esteja falando. Aqui é importante lembrar que uma maneira fácil para detectar o substantivo é perceber quem o acompanha, artigo, pronome, numeral e adjetivo são classes gramaticais que, em geral, acompanham o substantivo. Veja o exemplo:

Após ser socorrida, a mulher emocionada falou: “O meu obrigado a Deus e a todos os bombeiros que ajudaram no resgate.”.

A partir de agora, todos podem utilizar a “palavrinha mágica” sem perigo de errar.
Basta aplicar a regra!
Fonte:
http://www.portugues.com.br/gramatica/obrigado-ou-obrigada-qual-utilizar.html

A sua pessoa ou você

Olá Carlos:
Você escreve:

É correto dizer “com a sua pessoa” ?

Sim, é correto e é formal.

Nos textos e discursos de autoridades como juízes, delegados etc é comum o emprego de “a sua pessoa” ao se referir a você.
O guarda de trânsito diria:
A sua pessoa passou no sinal vermelho, vou ter que multar a sua pessoa.

No uso informal “a sua pessoa” acaba ficando um tanto estranho.
O namorado não diria:
A sua pessoa está muito bem vestida para o baile, vou ter que dançar com a sua pessoa toda a noite.

Espero ter ajudado

Quando usar é e quando usar são

O Horário do turno vespertino (É ou são) de 13:00 às 17:00 ?
Boa questão, Cristiane!
Antes de escrever, pergunte-se, “o período das horas de aula É DE QUEM”?
A resposta é “é DO TURNO VESPERTINO”. O turno vespertino está no singular, logo o período de horas também estará.
Então, o horário do turno é!
Você não diria o horário do turno SÃO, certo?
Assim sendo “Informamos que o horário do turno vespertino é de 13h00 às 17h00″ … está correto.
Agora, sobre a abreviação de horas, veja o assunto em
http://www.terminologia.com.br/2007/11/acerte-na-abreviacao-de-horas/
Espero ter ajudado

 

Da Minha para a Sua

Sebastião escreve uma dúvida:
É correto falar da Nossa família para a sua família?

Sim, é correto.

Imagine uma conversa entre Paulo Silva e Pedro Vieira.

Paulo poderia dizer:

Pedro, este é um presente da minha família para a sua família.
Também poderia dizer:
Pedro, este é um presente da nossa família para a sua família.

Imagine uma conversa entre Paulo Silva, Renato Vieira e Pedro Vieira.

Paulo poderia dizer:

Amigos, este é um presente da minha família para a sua família.
Também poderia dizer:
Amigos, este é um presente da nossa família para a sua família.
Imagine uma conversa entre Paulo Silva, Leandro Silva, Renato Vieira e Pedro Vieira.

Paulo poderia dizer:

Amigos, este é um presente da minha família para a sua família.
Também poderia dizer:
Amigos, este é um presente da nossa família para a sua família.
Para todos os exemplos acima, Paulo poderia dizer:
Amigo(s), este é um presente da família Silva para a família Vieira.
Espero ter ajudado

Tem ou Têm ?

Tem ou Têm

FONTE: http://duvidas.dicio.com.br/tem-ou-tem/

As duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Ambas são formas conjugadas do verbo ter no presente do indicativo. Estão, contudo, conjugadas em diferentes pessoas. Tem está na 3.ª pessoa do singular e têm está na 3.ª pessoa do plural. O verbo ter possui uma grande variedade de significados, podendo se referir ao ato de possuir, sentir, conter, gerar, considerar, precisar, expressar, guardar, contrair e alcançar. As palavras teem e têem não existem, estão erradas.

Presente do indicativo:
(Eu) tenho
(Tu) tens
(Ele) tem
(Nós) temos
(Vós) tendes
(Eles) têm

Exemplos:

Ele tem os mesmos vícios há muitos anos.
Eles têm os mesmos vícios há muitos anos.

Ela tem uma família enorme.
Elas têm uma família enorme.

Na língua portuguesa, os verbos ter e vir são conjugados sem acento na 3.ª pessoa do singular e com acento circunflexo na 3.ª pessoa do plural.
Exemplos: ele tem/eles têm, ele vem/eles vêm.

Já os verbos derivados dos verbos ter e vir são conjugados com acento agudo na 3.ª pessoa do singular e com acento circunflexo na 3.ª pessoa do plural.
Exemplos: ele mantém/eles mantêm, ele convém/eles convêm, …

Atenção!
O Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, não trouxe qualquer alteração a esta regra. Já se escrevia assim e devemos continuar escrevendo dessa forma.

FONTE: http://duvidas.dicio.com.br/tem-ou-tem/

 

 

 

Fazer-te ou fazê-la ?

Olá Socorro:

Sim, estão certas as frases:

Fico feliz em fazer-te feliz.
Fico feliz em te fazer feliz.
Fico feliz em fazê-la feliz. (a ela)
Fico feliz em a fazer feliz.
Fico feliz em fazê-lo feliz. (a ele)
Fico feliz em o fazer feliz.
Fico feliz em fazê-los felizes. (a mais de uma pessoa)
Fico feliz em os fazer felizes. (a mais de uma pessoa)
Fico feliz em fazer-lhes felizes. (a mais de uma pessoa)
Fico feliz em lhes fazer felizes. (a mais de uma pessoa)

Espero ter ajudado

Nós fazemos

Preciso saber se estou errado dizendo “nós faz” para algo que a outra pessoa esta pedindo.

Grato.

Olá Elias:

VERBO FAZER
Presente do Indicativo
eu faço
tu fazes
ele faz
nós fazemos
vós fazeis
eles fazem

Falando certo, você deverá dizer:
- Aos domingos, nós fazemos um churrasco para toda a família.

Espero ter ajudado

Se sentir me sentir

Quanto a nova mania das carinhas do Facebook para demonstrar sentimentos: se sentindo triste, empolgada, animada, etc.
Sabemos que é uma versão do inglês e não foi adaptado corretamente para o nosso idioma. Mas como há a opção de colocarmos a nossa própria versão, fiquei na dúvida do pronome em relação ao gerúndio em início de frase. ex: Sentindo-me indecisa – seria correto?
Sabemos que o uso dos pronomes átonos em início de frases antes de verbo não é correto. A minha dúvida é sobre o gerúndio, ou seria melhor usar o verbo no tempo presente: Sinto-me animada.

Olá Leoni:

Estão corretos os casos:
Estou me sentindo indecisa.
Sinto-me indecisa.

Para prosa coloquial também é aceito
Me sinto indecisa.
Quanto ao gerúndio, já chegam os do telemarketing!

Espero ter ajudado

Se sentindo ou me sentindo

Boa tarde, tive uma pequena discussão hoje no trabalho em relação a um post do facebook que aparece assim: ” Fulano de tal – Se sentindo feliz… Me disseram que se sentindo é como se fosse o facebook que está me dizendo isso… estou confusa, podem me ajudar??

Chenia:
” … agora sou eu que estou ME SENTINDO confusa.”
Você também poderia ter dito:
“… agora sou eu quem está SE SENTINDO confusa.”

Quando eu falo sobre a minha felicidade, digo “Eu estou me sentindo feliz”.

Quando eu falo sobre a felicidade de Paulo, digo “Paulo está se sentindo feliz”.

Quando o Paulo fala sobre a felicidade dele e na terceira pessoa, ele diz “O Paulo está se sentindo feliz”.

O costume de falar sobre si na terceira pessoa é comum e muitas vezes passa como um modismo. Usando este exemplo, alguns políticos (talvez até chamados de Paulo) usam muito a terceira pessoa para referirem-se a si próprios. Nos palanques o candidato PAULO fala: “Quando o PAULO governou São Paulo, o PAULO se designou aos pobres da periferia”.

No Facebook essa prática também ocorre e nem por isso as pessoas deixam de se comunicar.

De qualquer maneira e falando certo, “Fulano de tal – Se sentindo feliz” informa aos leitores do Facebook que FULANO está “numa boa”.

Espero ter ajudado.